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Porque hoje é o “Record Store Day”

16 Abril, 2016 0 Por Rui Freitas
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RSD 2016

O Record Store Day realiza-se no terceiro sábado de abril de todos os anos, desde 2008, e pretende celebrar o dia das Discotecas (enquanto lojas de venda de discos) independentes – a sua cultura e o papel que desempenham nas respetivas comunidades.

Pretendeu-se de início chamar a atenção para as lojas especializadas em música, com funcionários conhecedores e com atendimento personalizado, que sabem do que o cliente está a falar e o podem ajudar, ao contrário do que se encontra nas lojas corporativas e nos grandes espaços comerciais. “É importante que as pessoas saibam que ainda existem lojas especializadas em que as pessoas que lá trabalham sabem o que estão a fazer”, dizia ao Destak em 2010 Pedro Costa da Trem Azul. Um cliente de música, gosta de falar de música e de saber que o entendem.

Nasceu em Baltimore nos Estados Unidos de uma reunião em 2007 entre proprietários e funcionários destas lojas, que conversavam sobre este assunto e sobre a necessidade de dar visibilidade a estes postos culturais.

Em perspetiva, o vinil estava praticamente morto e pairava o mesmo fantasma sobre o CD graças à explosão do MP3 e depois do streaming e afinal tinham sido as pequenas etiquetas independentes e as lojas de discos “de bairro” que tinham mantido o vinil nas prateleiras durante a década de 90, quase reservados a saudosistas, ou como um produto fetichista das subculturas underground.

Foram afinal elas que deram sentido ao Record Store Day, que se lançou em volta desse formato.

O primeiro RSD teve lugar a 18 de abril de 2008 e para tal, os fundadores, Eric Levin, Michael Kurtz, Carrie Colliton, Amy Dorfman, Don Van Cleave e Brian Poehner começaram por juntar etiquetas, artistas e distribuidores para criar uma coletânea de discos de vinil exclusivos que produziram especialmente para celebrar o evento.

Nesse primeiro ano os Metallica, ficaram como embaixadores do evento, depois de terem passado horas na Rasputin em San Francisco a conviver com os seus fãs, lançando o mote para o que se viria a passar nos anos seguintes.

Hoje celebra-se em todo o mundo, e as lojas aderentes além das produções especiais, recebem artistas e promovem a aproximação entre os lojistas e os clientes; entre os artistas e os fãs, enquanto os artistas também aderentes, músicos, DJs e mesmo artistas plásticos fazem performances especiais e eventualmente gravam ou criam temas para o evento ou promovem reedições de obras antigas e marcantes.

Na esteira do primeiro ano, passou a haver um embaixador anual, sendo que em 2009 foi Jesse “Boots Electric” Hughes (Eagles of Death Metal) que se auto nomeou. Foram embaixadores nas edições seguintes, Joshua Homme (Eagles of Death Metal, Them Crooked Vultures, Queens of the Stone Age), Ozzy Osbourne, Iggy Pop, Jack White, Chuck D e Dave Grohl. Em 2016 voltarão a ser os Metallica.

Embora este dia, e como a própria organização o definiu, se dedique às lojas reais, físicas e independentes, não aos revendedores online, nem às grandes corporações, ele não teria o peso e a projeção global que tem, sem a distribuição dos três grandes selos da indústria: a Warner, a Universal e a Sony. A estas marcas é permitida a participação como distribuidores, mas não com lojas e através das suas Sony’s Red Distribution, Universal Music Group Distribution, e Warner’s Alternative Distribution Alliance, aproveitam o embalo para reintroduzir no mercado produtos antigos, rotulados como exclusivos.

Como dizia Eric Harvey num artigo publicado na Pitchfork em abril de 2015, “the allowance of corporate behemoth shippers but not stores isn’t cause to rail against Record Store Day’s hypocrisy, but a way of highlighting the necessity of working with the big money players to turn ethical consumption into a global event”.

Em 2014 a Sonic Cathedral e a Howling Owl sentenciavam que o Record Store Day estava a morrer, já que se resumia segundo diziam em uníssono, a “mais um evento anual do circo da indústria musical”, mas a verdade é que continua a expandir-se e hoje pode já ser visto como uma marca e se mais nada ficasse, valeu a recuperação do vinil e o correspondente aumento nas vendas. No mercado dos Estados Unidos e no primeiro semestre de 2015 este aumento foi de 52% de acordo com dados publicados pela Associação Fonográfica Norte-americana (RIAA) e de 38% globalmente, segundo a Nielsen Music.

Em algumas cidades dos EUA como New York, Los Angeles, e Las Vegas, por exemplo, o Record Store Day foi decretado feriado oficial.

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Para lá do dia festivo que ocorre uma vez por ano a organização tem um website sempre atualizado com notícias, e mantém ao longo do ano colaboração com diversas etiquetas, neste caso, não só com as independentes, mas também com as de maior dimensão, realizando concursos, promoções, merchandising e lançamentos especiais sempre com o intuito de destacar a importância das lojas locais e independentes e apontando para o vinil.

Este ano o evento que já conta com 13 países europeus, entre os quais Portugal, realiza-se a 16 de abril. Pode consultar aqui as lojas aderentes em Portugal e em todo o mundo.

 

 

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Rui Freitas

Jornalista e Diretor. Licenciado em Estudos Artísticos. Escreve poesia e conto, pinta com quase tudo e divaga sobre as artes. É um diletante irrecuperável.
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